Analise do Diretório Acadêmico pelo Hertzberguer

     O espaço do diretório acadêmico na Escola de Arquitetura e Design é um ambiente apelidado de “D.A.” que se trata de um espaço de convivência fechado com abertura para o jardim da EAD que facilita a integração, o local pode ser facilmente analisado pelos conceitos e estudos do Herman Hertzberger no livro Lições da Arquitetura.

          O autor dedica um capítulo para o espaço público como ambiente construído, diante disso, pode-se afirmar que o D.A. é um espaço comum entre os estudantes de Arquitetura construído que impulsiona diferentes atividades relacionando diretamente com o conceito abordado no livro. A existência desse local além de movimentar a Escola de Arquitetura recebe a cara dos alunos, é como a porta de entrada da faculdade, assim como as estações de trem eram das cidades.

Outrossim, é válido destacar uma análise cirúrgica por parte do autor quando ele traz que a fim de um espaço público seja efetivamente sustentado, cada indivíduo precisa sentir que nele há algo dele, isto é, uma parte particular que compõe o todo. Nesse âmbito, o D.A. manifesta melhor que qualquer outro espaço, essa relação estreita entre os indivíduos e o local público (pois como toda a faculdade, constitui um espaço aberto ao público). Entretanto, apesar dessa relação inegável, estimula-se que seja também o local mais descuidado do prédio, talvez por essa sensação de que o que é de todo mundo, é de ninguém.

          Ademais, é válido colocar a funcionalidade do Diretório Acadêmico, o espaço abriga os alunos durantes os intervalos e os permite a prática de diferentes exercícios, desde conversas de distração até reunião de trabalhos em grupo. Também cabe ressaltar que o ambiente sedia inúmeros eventos da faculdade entre os alunos, como o mais recente com shows e grafite. Hertzberger defende em várias partes do livro como o arquiteto deve projetar locais em que não há uma meta inequívoca, mas que é possível ter uma polivalência de interpretações para ser modificado de acordo com as necessidades, e conclui-se que o D.A. consegue cumprir isso muito bem ao suprir diversas expectativas.

          Hertzberger afirma que a arquitetura possibilita a entrada do mundo exterior para dentro, o que traz leveza e equilíbrio entre o isolamento e a extroversão. Frente ao exposto, sabe-se que o diretório acadêmico não possui uma estruturação específica para esta finalidade, como a ausência de colunas nos cantos, mas por ter uma lateral toda de vidro e outra com janelas enormes existe uma conectividade com o jardim da faculdade, trazendo uma maior sensação de liberdade.

          A sala é marcada por diversas pichações e escritos nas paredes, muitas vezes incorporando discursos políticos, que sim cabem nesse ambiente escolar, mas pelo menos que fosse de modo ordenado. Para além disso, é um ambiente velho (acompanhado pela estrutura como um todo). Junta-se a isso outro fator: o descuidado com os objetivos decorativos e úteis ao usuário. Nesse caos, a mobília que em partes constitui uma contribuição pessoal de algum aluno vê-se jogada de lado, como se, ao contrário do processo descrito por Hertzberger, o alheio virasse um palco para o desleixo e o distanciamento, ou aproximação pelo desleixo entre o “morador” e o meio físico.

          Por outro lado, o D.A. representa também uma maximização dessa mescla entre o espaço público e privado, mas não deixa de ser público. Essa conversa acontece em como os usuários se portam dentro dessa sala, quase como se estivessem em um lugar privado, seguro de toda influência superior, em termos de hierarquia e ordem. Ele faz essa função de aproximar os alunos de um quarto, onde podem dormir, fazer trabalho, jogar, mas ainda se mantém sólido como ambiente de interação social e convivência.

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